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Contratado pela defesa de Temer, perito que desqualificou áudio de Joesley diz que seu trabalho “não é emitir juízo de valor”

por Jovem Pan, . - Atualizado em

Ricardo Molina visita o Pânico; veja fotos

Ricardo Molina tem 25 anos de experiência em escutas

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Ricardo Molina tem 25 anos de experiência em escutas

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

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<p>Ricardo Molina tem 25 anos de experi&ecirc;ncia em escutas</p>

Ricardo Molina é daqueles que nunca saem da mídia. Oficial ou extraoficialmente, o perito já se envolveu em alguns dos crimes de maior visibilidade no país, como o massacre de Eldorado do Carajás, o assassinato de PC Farias e o caso Nardoni. No momento, está na boca do povo (e da Polícia Federal) desde que foi contratado pela defesa de Michel Temer para analisar a conversa gravada entre o presidente e o empresário Joesley Batista, entregue às autoridades no último mês de maio. Na ocasião, Molina desqualificou o áudio alegando que não poderia ser usado como prova no processo e desde então tem sido alvo de ataques. Mas ele mantém a posição e diz que fazer juízo de valor sobre seus contratantes não faz parte de seu trabalho.

“O áudio é ruim porque aquele gravador é ruim. Tem 294 interrupções. Quando o Joesley chega e sai, o rádio está ligado no carro, então temos um marcador de tempo preciso. E vimos que faltava mais de 6 minutos na gravação. Estamos falando de 23% da conversa! Essa gravação não pode valer. Você assinaria um contrato escrito em que falta 23% dele? O argumento usado pelos outros é ‘mas espera, sobrou alguma coisa’. Não interessa. Tecnicamente, a prova é inválida (...). Não posso, como perito, emitir juízo de valor. Se não, eu seria parcial”, declarou em entrevista ao Pânico na Rádio nesta terça-feira (26).

A conclusão de Molina sobre o áudio contestou o laudo apresentado em seguida pela Polícia Federal. Neste último, os investigadores da PF mostraram que existiam, sim, pontos de descontinuidades, mas afirmaram que eles haviam sido provocados por questões técnicas do gravador e não por fraudes ou edições.

“Isso às vezes não tem fim. Pode-se fazer perícia da perícia... Mas vou contar o que aconteceu. Eu fiz a perícia primeiro e disse que a gravação estava ‘podre’. Fiz uma metáfora que a imprensa não gostou. Se você compra um pedaço de carne e vê que parte dela está estragada, joga tudo fora ou tira o pedaço podre? Joga tudo fora! A PF não discordou dos 6 minutos que faltavam na fita. Eles também detectaram. A discordância é que eles dizem mesmo assim que não foi editado (...). O laudo da PF é um ‘laudo for dummies’. Engana leigo, não especialista”, criticou.

Questionado então sobre os possíveis motivos pelos quais a Polícia Federal teria esse “interesse” em maquiar a perícia, não foi modesto. “Acho que só para me contradizer. Se eu falasse que a gravação era boa, eles diriam que é ruim. Eles têm um interesse fantástico em me contradizer”.

O jeito desbocado e suas opiniões fortes fazem com que Molina seja frequentemente atacado por envolvidos nos crimes, colegas de profissão e mesmo desconhecidos. Ele disse até que costuma receber “e-mails desaforados” com os quais fica bastante nervoso, mas entende que esse é um risco para qualquer pessoa que se expõe.

“Isso acontece em qualquer caso. Se envolve perícia e Justiça, vai ter um lado que gosta e outro que não gosta. Vai ter torcida. Um cara que perde uma causa até mesmo em um processo cível não vai ficar satisfeito com a perícia por mais certa que ela esteja”, explicou.

Durante sua participação, o convidado contou ainda como o caso PC Farias fez com que seu departamento fosse extinto na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), falou sobre o perigo real da espionagem – alertando que seria melhor que todos desligassem câmera e GPS de seus dispositivos – e comentou os recibos recém-entregues pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao juiz Sérgio Moro que comprovariam o pagamento de aluguéis de um apartamento investigado na Lava Jato.

“Espero que esses recibos sejam periciados. Não estou dizendo que eles são falsos, só que existem maneiras de periciar. Dá para analisar se foram assinados em sequência, se usaram a mesma tinta, quando foram assinados... Acho que o Moro vai periciar, afinal foi ele quem pediu os recibos. Ele tem quase a obrigação de fazer isso. Eu gostaria muito de ter esses documentos em mãos. É meu sonho”, brincou.

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